UM OUTRO OLHAR SOBRE O BOM E O MAU PROFESSOR

Final de ano letivo e a “missa” começa; professor me ajuda? Professor me dá meio ponto? Professor o senhor vai considerar? Professor, professor, professor... Até ai normal. Mas o que me faz escrever este texto foi um pensamento despertado após eu receber o e-mail de um aluno descrito abaixo:

“Professor min  ajuda ai por favo não quero para de estuda” (17:32 horas);
professor por favor min ajuda!” (19:46 horas).

Sem considerar os erros de português, a falta de pontuação e a iniciação de frase com letra minúscula – e que para muitos deles é só um detalhe -, o que de fato me preocupou foi o aluno acreditar, que sua decisão em permanecer estudando está em minhas mãos. Como se o professor tivesse a obrigação de assumir a transferência de responsabilidade do aluno por motivos que só dizem respeito aos acontecimentos da vida do próprio.
Então esse aluno me pediu ajuda. Fiz uma reflexão dos seis (06) instrumentos de avaliação que utilizei no semestre; “cobrei” apenas a  presença em duas aulas práticas, duas provas enviadas por e-mail com antecedência de uma semana – com consulta óbvia no google e uso de copy cola, e que poucos sabem que copy cola não é para qualquer um, pois trata-se de uma arte -, um relatório de aula prática em grupo pedido com um mês de antecedência e um questionário para responder em casa enviado com uma semana de antecedência. Não bastasse, foi aplicada uma prova para substituição da menor nota, sem contar a recuperação final. No total 08 (oito) “chances” avaliativas para aprovação do acadêmico.
Voltando das minhas reflexões pensei alto – que tipo de ajuda esse rapaz precisa? Conclui que o tipo de ajuda que o rapaz me pedia era de passá-lo arbitrariamente. Até ai beleza. Fui aluno, e agente pedia pra professor como pedir a Deus. Se colasse... O que me preocupa é quando associei a responsabilidade que ele estava me transferindo, de ter nas mãos a decisão dele continuar estudando versos o pedido pra eu ajudá-lo.
Se esse rapaz me pede ajuda no contexto descrito acima é porque, possivelmente, ele sabe que colegas professores já o ajudaram em outros momentos do curso no sentido literário à sua solicitação de ajuda. Neste ponto que é concebido o mau e o bom professor.
 Esse mesmo aluno, por telefone, numa tentativa de me comparar relatou-me, para reforçar seu “e-mail de ajuda”, que o professor Fulano o ajudou, e que Ciclano também. O que me preocupa, é que esse aluno diz precisar de ajuda embora não precise; que ajuda esse rapaz precisa após 07 (sete) das 08 (oito) avaliações trabalhadas com consulta e como tarefa para “casa”? Que responsabilidade tenho sobre sua vontade de continuar ou não a estudar? Do seu querer...
O comportamento do aluno descrito acima é indicador da existência na instituição de ensino do mau e do bom professor, e sua criação dá-se por efeito de comparações. Um recorrente nas escolas, e que constrói esse tipo de pensamento nos alunos, é quando escutamos “o senhor não aceitou meu atestado médico mas o professor Tal aceitou”. Lembre que as escolas colocam regras quanto ao tempo hábil de protocolar atestado. Eu que sigo a regra das 72 horas em dias úteis sou taxado como mau professor. Aquele que “alivia” é tido como bom professor. 
Outro exemplo de comparação para criação do do mau e do bom professor feito pelo próprio aluno, é o clássico comentário "o professor Ciclano ajuda os alunos com trabalho. O senhor também poderia ajudar". Provavelmente o colega professor julgou necessário "passar" um trabalho não para ter desculpa de passar o aluno de ano arbitrariamente, mas para recuperar o conteúdo desse no aprendizado. Muitas vezes, o aluno, erroneamente, interpreta isso como "ajuda" e, equivocadamente vai fazer uso dessa situação - sem o professor que lhe "ajudou" saiba - para convencer aquele professor que, segundo ela está lhe atrapalhando. Ainda, o aluno quase nunca considera as inúmeras avaliações em formatos diferentes que a ele foi fornecida. O que ele quer é sempre mais uma para poder passar de ano. Como se fosse um processo de passar por tentativa.
Esse termo ajuda, acredito eu, ser desnecessário na escola. Não creio – ou pelo menos espero – que a grande maioria dos professores pretendem desgraçar por notas baixas a vida dos alunos, a ponto desses implorarem ajuda no final do ano. Se compactuarmos com a tal “ajuda” invalidamos automaticamente as infinitas recuperações paralelas prevista nos projetos pedagógicas dos cursos e tão discutida pelos teóricos da área quanto à sua importância. Não é necessário ajuda. Essa “ajuda”, se mal interpretada pelo docente, e dependendo o que ele “der” para alívio do aluno pode ser o caminho à avaliação assistencialista.
É bom ressaltar que o corpo escolar (professores e técnicos) sempre estará preocupado em recuperar o conteúdo de aprendizado do acadêmicos; é notável como a escola chama esta responsabilidade para si, quando das inúmeras metodologias de ensino e avaliação infinitamente discutidas em colegiados por professores e pedagogos, regulamentadas nos projetos pedagógicos dos curso. Mas é preciso o aluno saber também, que o seu "querer" estudar e estar comprometido com o curso depende unicamente dele. Ninguém poderá fazer isso por ele. Não é possível nesse caso haver transferência da sua responsabilidade.
É preciso que que a escola crie estratégias de conscientização do aluno sobre responsabilidade e compromisso nos estudos, sendo um trabalho de todos: do professor falando sobre isso em sala de aula; do departamento de ensino exaltando o assunto nas reuniões de recepção do ingressos; da consciência dos pais e/ou responsáveis em dividir essa "carga" com as escolas, sendo presente e participativos nas reuniões escolares. Sendo assim, o ambiente escolar tornar-se -á agradável e justo, dispensado de ajuda.

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